Cenário Malfatti
e o cinema
brasileiro
2020 / PUC-Rio
w/ Ananda Costa
Cenário Malfatti
e o cinema
brasileiro
2020 / PUC-Rio
w/ Ananda Costa
PT
O projeto propõe a concepção de uma bilheteria de cinema, com referências da arte modernista de Anita Malfatti, para fomentar discussões sobre a falta de incentivos, burocracias e a situação do mercado audiovisual brasileiro durante o governo de 2019.
A conceituação partiu de São Paulo, cidade natal de Malfatti e sede da Semana de Arte Moderna de 1922, que já foi palco de importantes manifestações culturais. O cenário escolhido é uma bilheteria, sendo este o ponto de entrada do cinema, algo popular que foi percebido como arte; um ambiente externo, que não pode ser censurado, e faz referência às origens dos cinemas de rua no país. A bilheteria também é vazia em 2019, onde ingressos caros e a preferência por serviços de streaming têm reduzido a frequência nas salas. O MASP foi selecionado por representar um lugar comum de manifestações contemporâneas e a insatisfação do público com a falta de incentivos governamentais para o cinema. Já a rua, é intitulada em lembrança ao ex-presidente Itamar Franco, que governou o Brasil no período entre 1992 e 1995, e homenageia a sua retomada na valorização do governo pelo campo com criações de leis e presença de organizações culturais para o cinema e outras artes.
No desenho da bilheteria, também há referências dos quadros de Malfatti: "O Homem Amarelo", simbolizando Affonso Segreto, primeiro cinegrafista no Brasil; a cadeira usada em “A boba” e a expressão emblemática de insatisfação da mulher no quadro, enquanto Malfatti gostaria que a arte fosse valorizada de forma simples pelas hierarquias do país, sem precisar entrar em academicismos; as plantas e a iluminação em “Tropical” e “O Homem de Sete Cores”; e o “Farol”, como objeto de pé de chão para as divisórias das filas da bilheteria. Também é colocado um adesivo “I Love Netflix” e um grafite criticando a posição do ex-presidente ao cinema brasileiro no poste da rua.
EN
The project proposes the design of a cinema box office, inspired by the modernist art of Anita Malfatti, to spark discussions about the lack of incentives, bureaucracies, and the state of the Brazilian audiovisual market during the 2019 government.
The concept draws from São Paulo, Malfatti’s hometown and the site of the 1922 Semana de Arte Moderna, which was a stage for important cultural movements. The chosen setting is a box office, the entry point to the cinema—a popular space that was once regarded as art; an external environment, untouchable by censorship, and referencing the origins of street cinemas in Brazil. The box office is also empty in 2019, symbolizing the high cost of tickets and the growing preference for streaming services, which have reduced foot traffic in movie theaters. The MASP (São Paulo Museum of Art) was selected as it represents a common venue for contemporary manifestations and public dissatisfaction with the lack of government support for cinema. The street is named in homage to former president Itamar Franco, who governed Brazil from 1992 to 1995, recognizing his efforts to reinvigorate cultural policy with new laws and the establishment of cultural organizations for cinema and the arts.
In the design of the box office, there are references to Malfatti’s paintings: "O Homem Amarelo" (The Yellow Man), symbolizing Affonso Segreto, Brazil's first cinematographer; the chair from "A Boba", and the emblematic expression of dissatisfaction on the woman's face in the painting, reflecting Malfatti's desire for art to be valued simply by the country's hierarchies, without the need for academicism; the plants and lighting in "Tropical" and "O Homem de Sete Cores" (The Man of Seven Colors); and the "Farol" (Lighthouse), used as a floor-standing divider for the box office queues. Additionally, a sticker reading "I Love Netflix" and a graffiti criticizing the former president's stance on Brazilian cinema are placed on a street pole.